Sambaralho: um breve histórico

No início da faculdade, na época FARME (Faculdade Regional de Medicina), em 1971, vários estudantes estavam jogando baralho, cacheta, em uma república na Rua Boa Vista, próximo a Rua Silva Jardim – o nome da república era GO Gina, era comum toda república ter um nome e ele ficar escrito na porta da casa. Era véspera de Carnaval, todos bebiam e estavam alegres. Uma certa hora, rasgaram os baralhos, deixando-os em pedacinhos, improvisaram uns instrumentos e saíram pelas ruas, tocando e cantando músicas de Carnaval. Por onde passavam, os estudantes jogavam os pedacinhos de baralho como se fossem confetes. E é daí que surge o nome: Sambaralho! Todos muito alegres e divertidos, improvisaram roupas sumárias e femininas. Por onde passavam eram bem recebidos com palmas e, principalmente, bebidas. Esta é a história que eu conheço, mas alguns a contam diferente.
Os anos se passaram, a tradição foi mantida e aprimorada. Minha primeira participação foi em 1973, quando estava no primeiro ano. A festa já estava mais organizada: fazíamos uma vaquinha para as bebidas, nos reuníamos na república para o “esquenta” e saíamos todos vestidos de mulheres. Só homens. As namoradas e as colegas iam nos maquiar e acertar nossas fantasias. Nossa bateria já era melhor e conseguíamos tocar algumas músicas inteiras, a animação era espetacular. Nosso caminho era sair da Boa Vista, subir a Rua Marechal Deodoro (onde morava Dr. Hélio Cherubini, que já nos aguardava com sua família e uns litros de Whisky Old Eight – era horrível, mas adorávamos na época) e descer a Rua Bernardino de Campos, que ficava lotada de gente nos aguardando.
1978 foi meu último ano na faculdade, já estava no sexto ano e fizemos uma despedida triunfal. A festa já estava no “calendário oficial” do Carnaval, com repórteres e fotógrafos à nossa espera, e praticamente todos os alunos participavam.
Passados alguns anos, quando retornei a Rio Preto, vi que nossa tradição havia mudado: já havia trio elétrico e a participação das meninas na festa.
Enfim, a Sambaralho marcou a nossa geração. Eu sou da IV turma da Famerp e tenho recordações incríveis, fotos maravilhosas e histórias que ficaria um dia inteiro contanto! É muito importante que a nossa Sambaralho continue existindo, com as mudanças impostas pelo tempo e sempre com muita alegria.

Miguel Zerati Filho

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