Representatividade

O conceito atual de participação popular na política é moderno e remete aos séculos XVIII e XIX, com os movimentos democráticos do período. Como em populações grandes é impossível a participação direta de todos, seja pela inviabilidade de reunir-los no mesmo local e debater todas as opiniões, pela falta de tempo ou pela urgência de se tomar uma decisão, um representante é nomeado para levar o pensamento de um determinado grupo para a discussão. Com isso surge a ideia de representatividade, em que um indivíduo ou um grupo é nomeado por aqueles que desejam ser representados, devendo defender os interesses destes.

No caso da FAMERP o representante máximo dos estudantes de medicina é o CAEZ, na figura de seus coordenadores, legitimados por uma eleição, que devem atuar de forma que as opiniões e interesses dos alunos sejam defendidas, fazer um repasse das discussões e prestar contas sobre o trabalho realizado. Por outro lado, os representados também possuem deveres, sendo de responsabilidade destes subsidiar os representantes de informações e demandas e cobrá-los quanto à sua atuação. Para que isso seja possível é necessário que haja uma aproximação de ambas as partes, com um amplo canal de comunicação entre elas pois, quando essa via de mão dupla falha, ocorre um afastamento entre os representantes e representados, situação vivenciada atualmente entre os políticos e a população brasileira e que tornou-se evidente nas manifestações de junho de 2013, em que o povo saiu às ruas questionando a representatividade do poder público.
Esse fenômeno de afastamento  é chamado por alguns cientistas políticos de “despotismo indireto”, em que um pequeno grupo governa por interesses próprios, em detrimento aos da população. Sobre essa forma de despotismo, é interessante notar a possibilidade dele surgir em um modelo democrático e não utilizar diretamente de ferramentas autoritárias, e sim de características da sociedade, como deficiências na educação e alienação política – ao se construir a ideia de que o dever político do cidadão se resume somente ao dia de eleição.
Voltando ao mundo FAMERP, acredito que a melhor maneira do CAEZ representar os discentes de medicina seja fortalecer o vínculo e a comunicação com eles, para que seja possível construir em conjunto as demandas e vontades dos estudantes, e não somente a de seus coordenadores. Qual a sua opinião? Você acha que CAEZ se afasta dos alunos? Que não se comunica com os estudantes? Você considera o CAEZ representativo?

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Um comentário em “Representatividade

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