Pena de Morte – Dentro e Fora da Lei

No último sábado (17 de janeiro), em meio a muita comoção de seus compatriotas, o brasileiro Marco Archer foi executado na Indonésia, condenado por tráfico de drogas. O fato foi noticiado em todos os grandes jornais brasileiros, compartilhado por milhares de pessoas nas redes sociais, acompanhado de muita lamentação e indignação, e até mesmo algumas de nossas autoridades, incluindo a presidenta Dilma Rousseff, disseram estar indignados, consternados e inconformados com o acontecimento. O governo brasileiro chegou a fazer um apelo ao governo da Indonésia para que a vida de Archer fosse poupada, porém, a resposta foi que não seria possível reverter a pena de morte, já que foi aplicada de seguindo todos os trâmites jurídicos conforme as leis da Indonésia.
Obviamente, a execução de um ser humano é lamentável e concordo que tal fato merece atenção, comoção etc. O que me causa espanto é que, pelo menos no meu facebook, as pessoas que lamentaram a morte de Archer são as mesmas que compartilham coisas do tipo “bandido bom é bandido morto” e curtem notícias como “adolescentes tentam assaltar padaria e acabam atropelados pelo dono do estabelecimento”. Os jornais que fizeram um escândalo com essa notícia são os mesmos que ignoram a morte de milhares de jovens nas favelas, ou noticiam o fato como algo cotidiano, banal. E as mesmas autoridades que se pronunciaram sobre essa execução, se calam sobre a violência policial e as mortes que ela causa em nosso país. Agora eu me pergunto, por que a execução de um traficante branco de 53 anos que estava no exterior seria diferente da execução de um adolescente negro envolvido com o tráfico em uma favela do Rio de Janeiro?
A única diferença que eu vejo é que na legislação brasileira não existe pena de morte (o que não impede que criminosos – ou não – sejam assassinados pela nossa polícia militar). Dois dias antes da execução de Archer, um garoto de 11 anos foi morto com três tiros nas costas durante uma operação policial no morro em que morava no Rio de Janeiro. A polícia suspeitava que ele estivesse envolvido com o tráfico, porém não há provas nem de seu envolvimento com o tráfico de drogas, nem de que ele estivesse armado quando foi morto, e ainda assim ele foi executado. Sem provas, sem julgamento, sem poder ser condenado a pena de morte e sem a comoção nacional, um garoto de 11 anos foi executado. Alguns jornais noticiaram o acontecimento, centralizando o debate na possibilidade dele estar ou não envolvido com o tráfico, como se isso, de alguma forma, tornasse o fato mais aceitável, como se o envolvimento de um menino de 11 anos com o tráfico não fosse um problema tão grave quanto a morte de um inocente.
Se a população e as autoridades brasileiras se mostraram tão comovidas com a execução de um traficante, por que não abrir os olhos para o que acontece no nosso país? Por que não repensar nossa política de drogas e dar uma nova chance a tantos jovens que, como esse, perdem suas vidas por causa do tráfico?

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Um comentário em “Pena de Morte – Dentro e Fora da Lei

  1. Sou totalmente a favor deveria existir sim a pena de morte , quantas familias hoje por perderem seus filhos ou entes queridos oq eles mais querem hoje e justica e mais nada justo do que aplicar essa lei , porq do geito que eles tiram vidas de pessoas inocentes eles tambem tem que perder a suas .

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