História da FAMERP

Apesar da estrutura urbana incipiente e população majoritariamente composta por imigrantes, a pequena São José do Rio Preto atraiu médicos brilhantes no início do século XX, como Raul Jansen Ferreira, Eduardo Floriano Lemos, Cenobelino de Barros Serra, Gilberto Lopes da Silva, Mário Valadão Furquim, Fritz Jacobs, entre outros. Jovens, ricos, inteligentes e cultos; eles preferiram o “rude sertão” rio-pretense em vez do renome científico em grandes capitais.

A cidade evoluía aos poucos e os poucos mais de 14 mil habitantes desfrutavam dos cinemas, da estrada de ferro e da bonança proveniente da cultura de cereais e café. Apesar do evidente progresso, doenças como hanseníase, varíola e a gripe espanhola vitimaram centenas de pessoas. Foi complicado impor quarentenas e outras medidas sanitárias em uma sociedade arraigada pela cultura de cura através de benzedores, feiticeiros e da “medicina indígena”. Em 1926 nasceu a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São José do Rio Preto, a partir da vontade da elite médica de que a discussão científica se intensificasse na cidade. Nas duas décadas seguintes, hospitais e casas de saúde foram fundadas no contexto de mudanças médicas decorrentes da Segunda Guerra Mundial.

Em 1953, Oscar de Barros Serra Dória fundou junto com um grupo de médicos e leigos o Hospital das Clínicas, embrião do futuro Hospital de Base. A ideia de José Arroyo Martins, ao propor o hospital enquanto vereador, era de que houvesse na cidade um Hospital Regional público, tal qual em cidades como Araraquara, São João da Boa Vista e Taubaté. As obras foram iniciadas em 1954 mas ficaram paradas por anos devido a falta de verbas.

Os rio-pretenses lutavam pela implantação de escolas de nível superior na cidade, importantes para auxiliar no desenvolvimento e prestígio social. Ainda em 1953, o vereador Daud Jorge Simão apresentou requerimento solicitando do governo estadual a criação de escolas de Farmácia, Odontologia e Direito; persistindo na luta por uma Universidade Municipal. Em 1955 surge a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (hoje Ibilce – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas; campus da UNESP). Com a criação da faculdade, a ideia da criação de uma faculdade de medicina na cidade ressurge.

Raul de Aguiar Ribeiro, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia, e o prefeito Philadelpho Gouveia Neto reuniram presidentes de diferentes categorias profissionais para recepcionar uma comissão de deputados incumbida de fazer estudos para a instalação da faculdade. O deputado Aloysio Nunes Ferreira fez com que a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovasse o projeto de lei para criação da escola. O governados Jânio Quadros transformou o projeto em lei logo em seguida. Entretanto, os anos se passaram sem que a decisão saísse do papel.

Um dos projetos do governados Carvalho Pinto, em 1963, era o de construir duas escola médicas no interior do Estado. A faculdade de Medicina de Campinas funcionava desde 1962 e São José do Rio Preto entrou na luta pela segunda vaga com a cidade de Botucatu. O frenesi na cidade foi enorme:

Pin It

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *