Extensão Universitária

A Extensão Universitária é um dos pilares do tripé universitário e apresenta uma diversidade conceitual e prática que interfere expressivamente no “pensar” e no “fazer” dentro da Universidade.

A partir de uma análise histórica, encontra-se pelo menos quatro modelos de Extensão Universitária: o da transmissão vertical do conhecimento; a ação voluntária sócio-comunitária; a ação sócio-comunitária institucional; o acadêmico institucional. Tais definições apresentam-se numa transitoriedade no interior de cada universidade em razão de sua história e de seu projeto pedagógico, de modo que encontra-se universidades brasileiras em vários desses momentos conceituais.

A transmissão vertical do conhecimento revela uma postura autoritária da universidade que, desconhecendo a cultura popular, apresenta-se como detentora de um saber absoluto. Dessa forma, não há construção do conhecimento. Ocorre apenas uma transmissão de informações, na qual o emissor coloca-se em uma posição superior e os receptores tornam-se sujeitos passivos, quando o ideal seria um processo em que todos fossem atuantes, na presença de um pensamento crítico.

Rompendo com a prática de uma ação verticalizada e pontual e numa perspectiva mais politizada, a Extensão Universitária passa a exercer ações educativas junto à Igreja Católica, através dos jesuítas, em uma interface com o Iluminismo. Isso denomina-se “Ação Revolucionária”, que passa a se relacionar com o Movimento Estudantil.

Na história do Brasil é expressiva, desde a colônia, a força política dos jovens universitários, principalmente aqueles que traziam da Europa os ideais da Revolução Francesa e do movimento operário inglês, que estimularam o pensamento crítico e originaram uma nova prática nas universidades.

As universidades populares no Brasil são conhecidas como Universidades Livres. As primeiras foram a de Manaus, a do Paraná e a de São Paulo, criadas no início do século XX. Neste momento, a Extensão Universitária passa a se apresentar como a interface entre o saber produzido nas universidades e a cultura local. A partir disso, inicia-se uma trajetória para a transformação da sociedade, na qual os movimentos de extensão revestem-se da horizontalidade e do respeito à cultura do local onde se desenvolve.

Na década de 1930, a Extensão foi institucionalizada na forma de cursos e da difusão do conhecimento, retomando o caráter unilateral e messiânico, que funcionava como um meio de manipulação, cujo objetivo era propagar os ideais de uma classe dominante. Em contrapartida, o Movimento Estudantil começou a proporcionar aos estudantes a troca de experiências com a comunidade, numa tentativa de promover a compreensão da realidade social brasileira, possibilitando maior reflexão sobre as ações realizadas.

Durante a ditadura militar, o Movimento Estudantil e a prática de uma Extensão Universitária emancipadora tornam-se uma ameaça ao regime militar no Brasil. Com isso, o governo propõe programas de atuação esporádica e desvinculados das universidades. Assim surge o movimento de ação sócio-comunitária institucional, no qual os estudantes conheciam apenas parte da realidade trabalhada e não estabeleciam grandes vínculos com o local. Um exemplo desse tipo de ação é o Projeto Rondon, criado em 1968.

É importante destacar que no início dos anos 60, dentro de uma concepção mais autônoma e transformadora da universidade, inicia-se na Universidade do Recife o movimento de Extensão Cultural, que defendia a desmistificação da Extensão Universitária como militância política; o conceito da troca, da Extensão como via de mão dupla, e a Extensão como um modo produção de conhecimento. A partir dessas ideias surgem as teorias de Paulo Freire.

Com isso, em 1987, o Fórum de Pró-Reitores define em sua primeira reunião, a extensão universitária como sendo “o processo educativo, cultural e científico que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e Sociedade. A Extensão é uma via de mão-dupla, com trânsito assegurado à comunidade acadêmica, que encontrará, na sociedade, a oportunidade de elaboração da praxis de um conhecimento acadêmico. No retorno à Universidade, docentes e discentes trarão um aprendizado que, submetido à reflexão teórica, será acrescido àquele conhecimento. Esse fluxo, que estabelece a troca de saberes sistematizados, acadêmico e popular, terá como consequências a produção do conhecimento resultante do confronto com a realidade brasileira e regional, a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da Universidade. Além de instrumentalizadora deste processo dialético de teoria/prática, a Extensão é um trabalho interdisciplinar que favorece a visão integrada do social”.

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