Espaço de acúmulo – 01/03

O espaço de acúmulo do dia 1º de março será sobre INFLUÊNCIA DA MÍDIA!

Segue abaixo os textos de apoio para a discussão:

 

1) Resenha: 1984, George Orwell

Numa sociedade distópica totalitarista, Winston vive sua vida regrada, comandada e assistida pelo Big Brother. Trabalhando no Miniver, o Ministério da Verdade, Winston é um dos que fazem com que O Partido seja infalível, falsificando qualquer coisa escrita que desminta a atual situação que O Partido queira que seja verdade. Um dia, no trabalho, pensando em sua frustração contra o sistema — um crime –, Winston nota Julia, uma colega de trabalho. Ele fica preocupado que Julia seja uma informante do Partido, mas, por meio de um bilhete furtivo, descobre o real interesse dela. Ao começar a se relacionar com Julia — outro crime –, a frustração e revolta de Winston cresce mais e mais, e com sua visão fatalista de vida ele tem certeza que eles serão pegos algum dia.
O clássico distópico da literatura é uma leitura por vezes cansativa, mas sem deixar de ser sensacional. É incrível ver que algo escrito em 1948 e pensado para acontecer em 1984 continua sendo tão verdade, tão atual. Não é a história, são as consequências, os medos, a vigilância, o controle, as verdades ditas como mentiras e vice-versa, o poder absoluto de uma ou poucas pessoas, a manipulação.
A história é contada pelo ponto de vista do Winston, sua vida na Oceania — uma das três potências mundiais do mundo do livro, que abarca a atual Oceania, América, sul da África e a Islândia, Irlanda e Inglaterra. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi que o Winston comenta que a Oceania está em guerra com a Eurásia e que a Lestásia é aliada, mas ele lembra de um momento passado em que era diferente. Isso é um dos pilares da política do Big Brother: GUERRA É PAZ. A constante guerra é uma confirmação do poder da Oceania, não importa quem seja o inimigo. Só de ter essa memória do passado Winston está cometendo um crime, por estar discordando do que O Partido diz ser verdade. E não há como contestar essa verdade porque o Miniver, o próprio Winston e seus colegas de trabalho, existe pra que essas discrepâncias não existam. Toda e qualquer informação diferente da verdade do Partido é modificada e destruída. Todos os registros são apoios do Partido.
Isso me leva a outro ponto incrível: na concepção do Partido, o Ministério da Verdade não está mentindo. Essa modificação do passado é porque o passado não importa, só o presente. A História não é necessária, o passado não é necessário. A memória cria uma fonte de comparação, e O Partido não quer que as pessoas percebam que estão presas no presente, no totalitarismo e na opressão. IGNORÂNCIA É FORÇA. Não força do povo, mas do Partido, claro. Controlando o passado, controla-se o futuro e o presente. Não há motivos para questionamentos porque não há mentiras, não há desvios.
Com isso, um são todos, todos são um. Não há diferenciação entre as pessoas como elas mesmas, como indivíduo, como ser. LIBERDADE É ESCRAVIDÃO. Todas as pessoas recebem os mesmos conteúdos, não podem e não conseguem questionar nada, não podem pensar fora do contexto, não podem viver de acordo com seus próprios conceitos. Não existem próprios conceitos.
Se para mim, que não tenho nenhuma base filosófica, o livro já foi impactante, imagino como é ler algo sabendo de onde veio, os motivos, como aquilo surgiu, tendo uma visão mais ampla do contexto histórico, social e filosófico que o Orwell utilizou pra basear sua obra. De toda forma, leitura mais do que recomendada, pelo menos pra nos lembrar que, independente de toda a propaganda de coletivismo que nos cerca, somos indivíduos únicos e podemos e devemos ter nossos próprios conceitos.

Fonte: http://www.muitopoucocritica.com/2014/03/10/resenha-1984-george-orwell

 

2) Reflexões sobre as influências da indústria cultural na difusão de valores estéticos: a TV aberta brasileira e a padronização da beleza

As mídias inquestionavelmente exercem papel fundamental na sociedade contemporânea devido ao seu poder de penetração material e simbólico no quotidiano das pessoas. Assim, torna-se irreal pensar a cultura e as ações sociais sem relacioná-las às mídias. A sociologia funcionalista concebia as mídias como mecanismos decisivos de regulação da sociedade, e são encarados por esta como meios de poder e de dominação (Mattelart e Mattelart, 2003). Contudo, embora não se pretenda aqui afirmar que as mídias possuem poder transcendente de aniquilação e alienação das pessoas, analisamos as mídias, e em especial a TV aberta, com destaque pelo seu potencial persuasivo objetivo e subjetivo.
A televisão enquanto tecnologia de comunicação existe há pelo menos setenta anos, mas se universalizou a partir da década de 1950, transformando-se na mais importante máquina de comunicar, no que se refere ao seu imenso alcance social e à abrangência de usos (Lopes, 2002).
Nos seus cerca de cinquenta anos de existência no Brasil, a TV passou por várias fases, mas evoluiu para um negócio milionário. Podemos confirmar claramente tal preposição, quando nos deparamos com os gigantescos salários pagos à apresentadores de programas, atores de novelas, esportistas mais expostos na mídia, entre outros do gênero (Bielby, 2009). Isso ocorre porque quanto maior a exposição na mídia, maior a probabilidade de adquirir simpatia por parte dos telespectadores, e por consequência, maior poder de influência sobre os mesmos.
Esse artefato possibilitou a construção de um novo tipo de mercadoria oferecida de forma indireta: os bens simbólicos. Esses bens por sua vez não podem ser comparados com um tipo comum de mercadoria onde se compra o produto de forma individual e se consome para satisfação de necessidade ou desejo. Esse novo bem possui grande poder de influência social, e embora não seja possível mensurá-lo com exatidão, pode em muitos casos, direcionar a massa à agir e pensar de forma singular.
A TV reproduz várias dimensões materiais e simbólicas, aproximando pessoas e seduzindo-as com conteúdos cujas mesmas se identificam de alguma forma. Assim, ilustra Lopes (2004: 125), “a TV funciona como um espelho translúcido que pode, no plano do simbólico, servir de transporte entre o material e o simbólico, o público e o privado, a mente dos indivíduos e as crenças coletivas, etc. Em suma, o que somos e o que pensamos ser”.

Fonte: http://pendientedemigracion.ucm.es/info/mediars/MediacioneS7/Indice/BaldanzaRFyAbreuNR/baldanzayabreu2010.html

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