E agora, Famerp?

O Centro Acadêmico Euryclides Zerbini (CAEZ), órgão representativo dos estudantes de Medicina da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), vem expor à toda comunidade o atual cenário enfrentado pelos estudantes de nossa instituição de ensino: cortes e atrasos no pagamento de bolsas assistenciais e de pesquisa, taxas em dinheiro, diretoria omissa em promover atividades de extensão universitária, infraestrutura inadequada para o novo número de alunos ingressantes e biblioteca funcionando em horário reduzido.

Atualmente a Famerp oferta bolsas-auxílio para 46 alunos da Medicina e 50 alunos da Enfermagem, sendo insuficiente para atender as demandas estudantis. A instituição adere ao Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp) desde 2015, reservando 15% das suas vagas ofertadas aos cursos de Medicina e Enfermagem para alunos oriundos de escolas públicas ou autodeclarados negros, pardos e indígenas; de modo que o perfil socioeconômico da instituição mudou com a inclusão de alunos com renda familiar inferior a 1,5 salários mínimos. Ainda que a diretoria alegue haver disponibilidade de bolsas-alimentação ou outros auxílios, na prática há uma extensa burocracia que dificulta e barra o acesso do estudante ao recebimento de auxílios necessários para permanecer estudando. Os discursos dos funcionários são reveladores da ideologia meritocrática pulverizada na Famerp: insinuam que essas bolsas são “favores” destinados a uma parcela cada vez mais específica de alunos – ou seja, aquela que consegue comprovar “pobreza extrema”. Ademais, há uma constante vigilância econômica e social sobre a rotina do estudante bolsista, que os acua e constrange sob o pretexto de verificar possíveis irregularidades no uso das bolsas.

Somado a esse cenário desassistencialista, a Famerp ainda conta com um sistema de multas em dinheiro e cobrança de serviços aos alunos, como requisição de atestado de matrícula, histórico escolar e carteirinha. Entendemos isso como uma contradição: nossa faculdade é uma instituição pública que deveria prezar pela livre circulação da comunidade rio-pretense e gratuidade de seus serviços como forma de garantir a universalidade do acesso ao ensino. Tais barreiras econômicas só se tornam de fato empecilhos ao acesso à educação para os mais pobres, de tal forma que esse mecanismo contribui para tornar nossa faculdade ainda mais elitista e omissa diante das desigualdades socioeconômicas que assolam nosso país. Além disso, o destino do montante arrecadado em taxas de multas e serviços não é apresentado aos estudantes que, privados de informações, se tornam o elo mais fraco nas negociações e diálogos com a diretoria.

No que tange a infraestrutura da faculdade, pontuamos sua incapacidade de oferecer ensino de qualidade para nossos estudantes: há um descompasso entre o número de materiais disponíveis (livros atualizados, peças anatômicas em bom estado, instrumentos necessários em aulas práticas) e o número de estudantes que ingressam anualmente, salas de aula com carteiras quebradas e pintura desgastada, cenários de prática superlotados, ausência de transporte para os estágios, biblioteca funcionando em horário incompatível com a utilização de seus recursos. Desinteressada em sanar esses problemas, a diretoria se empenha em verificar a disponibilidade para construção de obras que publicizem a instituição, como um museu e uma academia esportiva.

Ressaltamos a omissão da diretoria e dos docentes na realização de projetos de extensão universitária, essenciais para o desenvolvimento do tripé universitário (ensino, pesquisa e extensão). Entendemos que as universidades representam espaços estratégicos para a superação das contradições sociais existentes em nosso país: são cenários políticos importantes na construção de conhecimento crítico, planos e ações emancipatórios por toda a sociedade. Nesse sentindo, a extensão universitária se coloca como meio entre a universidade e as demandas populares, construindo e aplicando conhecimento pautado nas reais necessidades da população. Ressaltamos que os projetos de extensão existentes hoje na Famerp são organizados e financiados pelos próprios estudantes, sem perspectiva de auxílio por parte da diretoria.

Frente a todos esses problemas, o CAEZ cobra da diretoria os devidos encaminhamentos para saná-los e reivindica melhorias nas condições de assistência e permanência estudantil, colocando-se sempre à disposição para dialogar e ajudar na construção de soluções.

AVANTE!

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