Direito de exigir

Direitosdaassistencia

As pessoas não conhecem seus direitos. Essa é uma constatação que fiz após diversas conversas com pessoas de diferentes realidades e meios sobre “quais são seus direitos”, levando em consideração diferentes âmbitos, por exemplo direitos como consumidor, como brasileiro e como estudante.
Esse terceiro item, em especial, aparentemente é um dos menos conhecidos. Parece que sempre sabemos o que podemos ou não fazer, mas nunca o que podemos, e devemos, exigir. Sendo bem honesta, quando eu entrei na faculdade não fazia a menor ideia de quais eram meus direitos como estudante de medicina, principalmente do ponto de vista da assistência estudantil. E pra ser mais sincera ainda, não ligava muito, só estava feliz por ter passado. Como eu me viraria para me manter na faculdade, isso eu veria no decorrer daqueles longos 6 anos.
No entanto, percebi que não poderia continuar com essa atitude. Depois de diversas frustrações próprias e de colegas ao longo do ano, vi que esse tipo de pensamento, aliado a uma excepcional falta de vontade tanto pela parte dos estudantes quanto pela parte de diversos membros da instituição, acaba por dificultar grandemente a permanência no ensino superior de muitos alunos que não conseguem se manter com os altos gastos que uma vida fora da casa dos pais gera. Sim, o simples fato de conhecer nossos direitos não vai mudar muito as coisas para os alunos que precisam de assistência. Mas, como toda luta que valha a pena fazer parte, é a partir desse conhecimento que podemos agir conforme nosso papel de estudante e exigir da instituição o cumprimento dos deveres que eles tem para conosco. Saber que temos o direito a alimentação, moradia, transporte, atenção à saúde, inclusão digital, esporte, creche e apoio pedagógico, nos estimula a querer lutar cada vez mais por tais coisas, já que temos o poder para isso.
Com tudo isso, eu procuro pensar que as pessoas estão mudando, que elas estão procurando cada vez mais conhecer. Procuro pensar que a utopia de termos, um dia, todos os nossos direitos concretizados não seja assim tão utópico, e, que para isso, as pessoas escolham lutar pelo que é nosso. Sei que não é fácil nem divertido ouvir absurdos por parte de diversos indivíduos sobre o que é justo e o que é “querer tudo de mão beijada” e ainda sim continuar com a cabeça erguida, acreditando em algo que pode nunca ocorrer, mas se não o fizermos, quem o fará por nós? Temos que conhecer, e, com isso, temos o direito de exigir.

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